Segundo Período

Com o término do período de concessão por noventa anos, parte do contrato de exploração da linha férrea, expirou em 1946, quando os ingleses perderam o controle dos negócios, inclusive da Vila. Assim, aos poucos foi sendo desativada , principalmente quando a ferrovia foi encampada pelo governo federal.

Com isso, o Presidente Eurico Gaspar Dutra estabeleceu, encampação, e todo patrimônio da Companhia foi incorporado ao da União .Terminava então, a presença inglesa na vida de Paranapiacaba, o que, na memória dos moradores, marcou como início da decadência e deterioração da Vila.

Ao receber o patrimônio, o governo brasileiro priorizou a manutenção da qualidade no transporte de cargas e de passageiros. Deu prosseguimento à modernização do sistema ferroviário , inaugurando em 1950, a eletrificação da linha no trecho de São Paulo à Judiaí, e posteriormente estendendo-a até Paranapiacaba.

Após a Segunda Guerra Mundial e nas décadas de 50 e 60 , a região do ABC viveu um ciclo de desenvolvimento , determinado pelo novo modelo econômico adotado no país , que privilegiou investimentos em transporte rodoviário e atraiu um grande número de empresas, principalmente automobilísticas.

Como exemplo dessa nova realidade, podemos citar a inauguração da Rodovia Anchieta em 1947, o que trouxe uma nova alternativa de transporte entre o porto e o planalto.

Criada em 1956, a Rede Ferroviária Federal S.A, idealizada no governo de Getúlio Vargas e criada por Juscelino, é uma sociedade por ações, controlada pela União, BNDES , alguns estados e municípios. Foi formada com o objetivo de organizar uma grande malha de ferrovias espalhadas pelo país.

A estratégia de controle centralizado possibilitou planos gerenciais amplos, mas também tirou a autonomia, distanciando cada vez mais as relações entre os trabalhadores e o corpo administrativo da ferrovia. Isto acarretou a mudança brusca do sistema em Paranapiacaba, onde as relações eram paternalistas e a proximidade com o centro do poder permitia maior interação.

Em 1974, inaugura o novo Sistema Cremalheira-Aderência , totalmente automatizado , construído sobre o mesmo leito da Serra Velha , que teve o seu sistema funicular desativado.

Logo, concentraram os investimentos no corredor de exportação (principalmente minerais e grãos) e o transporte de passageiros foi gradativamente entrando num processo de marginalização, e transformando o que era antes um transporte mais elitista, num transporte suburbano , incorporado pela CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).

A nova realidade tecnológica e política manifestou-se aos ferroviários através de demissões compulsórias. Muitos antigos moradores tiveram que abandonar suas casas e deixar a Vila. Tais mudanças induziram à um perfil da vila dormitório, trazendo novos moradores agora não-ferroviários.

Em 1982, ocorreu um incêndio criminoso que destruiu a antiga estação, acabando assim, com a referência da Vila e o ponto de encontro dos moradores, denotando um novo cenário de abandono, descaso e decadência.

Em 1996, a Santos-Jundiaí foi vendida para MRS Logística (Malha Regional Sudeste), que é uma associação entre CSN, Cosipa, MBR, Bradesco , Gerdau , Vale do Rio Doce, Açominas, Ferteco e a Usiminas. Tendo um faturamento médio diário de 1 milhão de dólares e é a mais importante do país, transportando em sua maioria, cargas de empresas do próprio grupo, configurando um articulado monopólio ferroviário em toda a região sudeste.

Somando-se todos estes fatores não é difícil imaginar como chegamos ao cenário da Vila atualmente, que caiu no esquecimento e corrente processo de deterioração.