Primeiro Período

Pode-se atribuir à Vila de Paranapiacaba dois períodos distintos um de desenvolvimento, de 1860 até 1946 e um período de estagnação e decadência: de 1946 até os dias de hoje.

O primeiro foi marcado pela origem do acampamento dos trabalhadores empregados na construção da ferrovia e pela fase de instalações provisórias. Com a inauguração da estrada fez-se necessário a fixação de operários.

Com isto, se consolidou a ocupação inicial da vila. A São Paulo Railway abrigava na Parte Baixa, equipamentos, anexos ferroviários e as habitações provisórias dos trabalhadores, assentados ao longo de um eixo principal ( rua Direita) "que dava acesso aos depósitos e oficinas, distribuindo-se , desordenadamente em torno desta rua , as construções dos operários, ainda os mesmos casebres de pau-a-pique em pau roliço amarrado cobertos de sapé.

Não há uma data precisa para o início da formação da Parte Alta, mas sabe-se, com certeza, que ela nasceu através da implantação da ferrovia e, quando esta foi inaugurada em 1867, era apenas uma pequena aglomeração de casas de pau-a-pique e palha.

Em 1889, foi erigida a igreja matriz , construída pelos moradores do local, trabalhadores ou não da ferrovia.

Em 1891, houve um aumento na demanda de serviços terciários, devido a duplicação ferroviária, entre eles, comércio de gêneros alimentícios, ferramentas, vestimentas, materiais de construção, etc. O que proporcionou uma expansão urbana na parte alta.

Entre 1860 e 1899, na Parte Baixa, manteve basicamente, as mesmas características . Todavia, para a aceitação definitiva da linha por parte do governo e liberação do tráfego na ferrovia , foram exigidas: a complementação das obras na Serra; a construção das casas para seus operários; e a edificação da Estação do Alto da Serra.

A SPR transformou a vida no planalto paulista, com as facilidades e a velocidade dada ao transporte de carga e ao de passageiro, modificou as paisagens e deu incentivos ao desenvolvimento econômico do estado.

Com a expansão da lavoura cafeeira, cresceu o tráfego da estrada de ferro, estimulando a expansão do núcleo urbano de Alto da Serra para atender ao fluxo cada vez maior de passageiros e vagões de carga.

Todo este crescimento, forçou a duplicação da linha da São Paulo Railway, assim, somente após a conclusão desta nova linha em 1900, é que a Companhia iniciou a fase de novos investimentos. A duplicação consistiu na construção de novos Planos Inclinados da Serra, denominada Serra Nova. Assim que a segunda linha da ferrovia entrou em plena fase de operação comercial a SPR passou a investir maciçamente, introduzindo melhoramentos não só na ferrovia, como também no lugarejo.

Edificou uma Vila Ferroviária na parte Baixa, chamada Vila Martin Smith . Com planejamento urbano que adotava padrões sanitários correntes na Europa após a Revolução Industrial, recém adotados no Brasil.

A partir daí, um grande número de habitações de madeira foram erguidas na Vila Nova. Na Vila Velha os casebres de pau-a-pique também foram sendo substituídos por madeira, e ambas foram recebendo a infra-estrutura necessária. E, em todo o trajeto da SPR, as velhas estações que tinham ainda caráter provisório, tornaram-se pequenas para o crescente número de passageiros e para as novas necessidades de carga.

Em 1900, com o programa de remodelação, as mais importantes estações foram substituídas por novas, que traziam uma arquitetura moderna, equipada e completa, em termos de conforto para os usuários.

Em 1920, a Vila registrava uma população de 3286 habitantes e manteve essa média durante todo período em que esteve sob controle dos ingleses. Esta população de ferroviários, constituída de imigrantes portugueses, espanhóis e italianos conjuntamente com os ingleses fundaram uma sociedade, na qual, reciprocamente, aceitavam o espaço em que viviam, gerindo e conservando-o.

Em 1934, os ingleses introduziram as primeiras locomotivas de tração diesel-elétrica nos trechos do planalto e da baixada, o que demonstrava o constante processo de modernização.

A década de 40 marca o início de grandes transformações no Brasil. Na área do transporte, as rodovias se destacaram como prioridade nacional. Desse modo, a maior parte dos recursos do Estado foi destinada ao transporte rodoviário. Gradativamente, o transporte ferroviário foi perdendo importância no cenário nacional, ao mesmo tempo que se iniciava um processo de degradação social e consequentemente física da Vila de Paranapiacaba. Social porque, a maioria dos habitantes da vila vivia em função da ferrovia, e física, devido ao descaso pela manutenção da estrutura existente.