Núcleo Urbano

Para a execução dos trabalhos da ferrovia no topo da Serra do Mar foi necessária a construção de um amplo acampamento para os 5000 trabalhadores da ferrovia, distribuídos em alojamentos e casas de taipa em caráter provisório.

Com o final das obras apenas uma parte dos trabalhadores foi mantida para a operação e manutenção do sistema (subida e descida da serra), surgindo assim o vilarejo "Alto da Serra", organizado no leito da ferrovia .

O conjunto de edifícios do Alto da Serra era, na época da construção da ferrovia, composto por barracões, alguns com certas partes de alvenaria e, ás vezes, com vedação de ferro corrugado ou madeira. Foi construída toda uma vila em Paranapiacaba, estabelecida em função da ferrovia.

As novas casas construídas na vila, não mais provisórias, mas definitivas de um plano urbano para Paranapiacaba, foram montadas em madeira, na maioria em pinho de riga, em peças trazidas da Inglaterra, enumeradas, prontas para a montagem, dispensavam a mão-de-obra especializada no local. O que determinou a marcante característica inglesa da Vila.

Os ferroviários tornaram-se uma das primeiras categorias de trabalhadores assalariados, desfrutavam de uma posição de destaque no operariado urbano.

A SPR construiu residências para os seus empregados , com tipologias padronizadas e hierarquizadas de acordo com cargo e função desempenhados na ferrovia. Desenvolveu um programa com diversas atividades sociais e de lazer, conjugado com uma infra-estrutura urbana adequada, plano de ocupação e uso do solo, além de possuir condições sanitárias satisfatórias.

Paranapiacaba, de 1860 a 1946, constituiu em um único exemplo urbano brasileiro planejado para suprir uma estrada de ferro. A singularidade dessa implantação estava no desafio que se apresentava a essa tecnologia: transpor a escarpa da Serra do Mar que separa Santos de São Paulo.

Este lugar está incluído entre aqueles que se classificariam como testemunhas da história do desenvolvimento econômico do estado de São Paulo.