Ferrovia

Em meados do século XIX, especialmente em São Paulo na região de Campinas, a lavoura canavieira vinha sendo substituída pela cultura do café, e conforme as plantações se distanciavam do litoral e aumentava a produção, mais problemático se tornava o seu escoamento para o porto exportador de Santos. Logo, o café tornou-se o principal produto de exportação, o que agravou mais o quadro, tronando-se essencial um investimento para proporcionar a rapidez no escoamento do produto.


Ana aos 9 anos de idade junto com a mãe.

Este período definiu a primeira fase de expansão ferroviária no país, que foi caracterizada pela presença de profissionais estrangeiros, geralmente britânicos, responsáveis pela elaboração dos projetos.

Neste cenário iniciam-se a construção da Ferrovia Santos–Jundiaí, constituída em Londres , denominada São Paulo Railway Company – SPR.

A conjugação de duas leis, uma geral de número 838, de 12 de setembro de 1855, e outra provincial de número 495, de 17 de março do mesmo ano, veio solucionar o importante problema de dotar São Paulo com a sua primeira estrada de ferro.

Em 1855, essas novas leis ofereceram maiores estímulos à continuidade do empreendimento. Votadas e sancionadas as duas leis, não demorou o Governo Imperial em promover a sua execução, assim, no dia 26 de abril de 1856, foi oficializado a concessão ao Marques de Monte Alegre, ao Conselheiro Pimenta Bueno e ao Barão de Mauá, o privilégio de pelo prazo de 90 anos, construir e explorar uma estrada de ferro no eixo Santos e Jundiaí.

Desta forma, pelo decreto 2.601 de 6 de junho de 1860, eram aprovados pelo Governo Imperial "os artigos de associação da Companhia da Estrada de Ferro de Santos a Jundiahy", feitos na cidade de Londres .

Criou-se com esta ferrovia um importante corredor de exportação, de alta tecnologia, necessária para vencer a serra e ligar as fazendas ao mercado externo.

Em 24 de novembro de 1860, teve início a construção da estrada. A escarpa do planalto, com uma diferença de nível de 800 metros, constituía um sério problema aos trabalhos da ferrovia. Adotou-se o sistema funicular cujo projeto final ficou a cargo dos engenheiros ingleses James Brunless e Daniel Fox.

Milhares de homens foram empregados nas obras da ‘São Paulo Railway Company". Os Relatórios dos Engenheiros Fiscais do Governo informam sobre cerca de 5000 pessoas que participaram da construção da ferrovia, a maioria composta de imigrantes portugueses, italianos, espanhóis e ingleses, visto que era indispensável a formação de mão-de-obra especializada e, segundo o decreto imperial de 1852, era proibida a utilização de escravos em ferrovia.

Em 16 de fevereiro de 1867, era inaugurado o tráfego de toda a estrada, a primeira ferrovia de longo percurso do país, com um total de aproximadamente 140 quilômetros.

O trecho de Santos-São Paulo, destacou-se por apresentar importantíssimas obras de arte e engenharia, que por muito tempo causariam admiração.

A efetivação dessa via, que rompeu o isolamento do planalto em relação ao litoral, foi um fator de grande relevância pelo grande desenvolvimento, que se verificaria a partir de então, na produção agrícola no interior da Província de São Paulo e também do próprio porto de Santos que , com o impulso da cultura cafeeira, passaria a ser um dos mais destacados na América Latina.

Estava dado o primeiro passo para o desenvolvimento de São Paulo. À partir daí, é facilmente detectável a transformação sofrida pelos usos, costumes e comportamentos da cidade, que adquiriram uma nova dinâmica progressiva.

Até a década de 1930, o sistema Santos - São Paulo, da chamada "The São Paulo Railway Company LId ", uma "sÍngle-cnterprÍse", assegurou o monopólio de transportes ferroviários entre o litoral e o planalto.