Caminhos

Os índios já habitavam a região há muitos anos, entre as tribos que se formaram, destacam-se os guaianazes, os tupiniquins e os tamoios.

Da vida semi-nômade, os índios usavam a Serra do Mar como uma passagem, uma importante parte da extensa rede de caminhos e trilhas que intercomunicavam as tribos do litoral com as do interior.

Croqui de ilustração das trilhas

No inverno, os índios do planalto deixavam suas aldeias e desciam a serra para pescar e caçar no litoral, pois, este período era de desova de muitos peixes .

A fuga do frio mais intenso do planalto e a busca por mais facilidades na pesca e caça neste período, acarretou na transformação dessas trilhas em caminhos permanentes.

A ocupação colonial no Brasil foi iniciada pelas próprias trilhas utilizadas pelos índios. Por uma delas, João Ramalho atravessou a Serra do Mar e chegou aos campos do planalto, dando origem a Vila de Santo André da Borda do Campo.

Os índios, e depois os bandeirantes , transformaram este ponto do planalto num centro de importante ligação do litoral com o interior . O que sempre foi motivo de disputas pelo domínio deste ponto estratégico e de suas frotas de passagem.

Formaram-se diversos caminhos que ligaram o planalto à Santos , (Caminho do Padre José, Caminho do Mar) e também à Mogi das Cruzes ( Caminho do Pilar e Caminho do Zanzalá), ao longo dos quais instalaram-se pousos e ranchos.

Foi apenas no século XVIII que o transporte deixou de ser braçal e passou a ser feito no lombo de montarias, principalmente mulas. Essas tropas levavam a produção local e do interior ( açúcar e depois o café), vinculando a economia regional ao mercado externo através do Porto de Santos.

Em 1792, foi construída a Calçada de Lorena, pavimentada com lajes de pedra. E em 1844 foi construída a primeira estrada carroçável, denominada Estrada da Maioridade, construída pelos oficiais militares portugueses do "Real Corpo de Engenheiros", com 9 km de extensão e 3 metros de largura.

"...Não é andando que a pessoa faz a maior parte da viagem e sim de gatinhas, com os pés e mãos no chão, agarrando-se as raízes das árvores , em meios à rochas pontiagudas e terríveis precipícios . A profundeza do abismo é assustadora, a profusão das montanhas que vão surgindo sucessivamente parece nos deixar sem nenhuma esperança de chegar ao final...."

Relato de um jesuíta , sec XVII in: Augusto de Saint-Hilaire, A Viagem à província de São Paulo.