De acordo com todos os dados obtidos e através da análise e discussão de todo o levantamento, foi possível identificar os principais problemas e as potencialidades da Vila.

A desvalorização do transporte ferroviário e a exclusão da linha Santos-São Paulo para passageiros, abalou definitivamente o desenvolvimento da Vila.

Isto fica evidente ao observarmos o casario que, apesar da proteção pela lei do tombamento, encontra-se com aspecto de abandono, já que seus moradores atualmente não possuem mais vínculos com a Vila.

A descaracterização, de vila ferroviária para vila dormitório, e a falta de perspectivas da população, fazem de Paranapiacaba um local em vias de se transformar numa Vila "fantasma".

Haja visto que esta população é quem ainda lhe assegura a sobrevivência, pode-se afirmar que um dos principais problemas da Vila é de ordem social. Sendo assim, para iniciar o processo reverso dessa deterioração, a vila deve voltar a possuir vínculos diretos com seus habitantes, como oferecer novas condições de trabalho e de lazer.

A população deve ser a energia motriz de todo o processo de revitalização e desenvolvimento, e parte integrante do referencial turístico de Paranapiacaba. Por isso, é imperativo, no processo de revitalização, o engajamento da parcela de moradores que, ainda detém o conhecimento da história, dos costumes , do entorno e da dinâmica local.

É inegável o potencial turístico de Paranapiacaba. Afinal, seus atrativos são considerados peculiares. Destaca-se por possuir o único sistema funicular férreo do mundo, ser o último remanescente do planejamento urbano inglês para uma vila operária, possuir a única reserva biológica do litoral paulista, local de preservação e pesquisa da biodiversidade da Mata Atlântica.

O turismo é uma realidade em Paranapiacaba, porém, o modo como vem sendo praticado, não traz benefícios para a Vila, não se caracterizando como uma atividade econômica, pois sua arrecadação é efêmera e praticamente não gera empregos. Caracteriza-se por um turismo desorganizado, de baixo custo, sem compromisso com a Vila . Prova disso, são as condições em que as trilhas ecológicas se encontram, sujas, pisoteadas, inseguras e desfalcadas em plantas nativas. Isto se deve principalmente, a falta de fiscalização e controle.

A falta de infra-estrutura turística, como a não existência de banheiros públicos, nem de receptores de lixo distribuídos por toda a Vila, também faz com que o turismo adquira uma dimensão cada vez mais degradante.

A ausência de locais para hospedagem na Vila , impõe o turismo de um dia e tentativas clandestinas de acampamento na Vila.

No entanto, as atividades turísticas são favorecidas pela legislação incidente sobre a Vila de Paranapiacaba e entorno, desde que o desenvolvimento aconteça de modo sustentável. Além disso, as leis de incentivo à cultura , tanto no âmbito federal como no estadual favorecem a busca de recursos e parceiros entre entidades ou organismos internacionais para restaurar e preservar o patrimônio natural, histórico, artístico e cultural.

Todos estes fatores apontam a importância de um planejamento da Vila de Paranapiacaba, para o desenvolvimento do turismo sustentável.