Impasse

A liquidação da Rede Ferroviária Federal parece ser o movimento final de um complicado jogo de poder em Paranapiacaba, jogo que acabou estabelecendo um conflituoso nó político e institucional entre as esferas burocráticas:

Federal: que administrava a ferrovia e continuou proprietária da Vila ;

Estadual: que legisla sobre o meio através de um complexo de leis ambientais e de tombamento, e também administra as linhas de trens metropolitanos;

Municipal: responsável pelo entorno da Vila Ferroviária.

Assim, esse nó burocrático , caracterizado pelo desentendimento e ações isoladas , fazem com que atualmente a deterioração, o descaso e o esquecimento sejam ícones da Vila. Nenhuma tentativa foi capaz de impulsionar Paranapiacaba para reverter este quadro de decadência.

Diante desta indecisão, foram feitas outras mobilizações , uma delas foi a da Associação Ambientalista Mãe Natureza, que entrou com uma ação no Ministério Público contra a Rede pela destruição e venda, de uma série de antigos vagões e locomotivas, como sucatas.

Pressionada judicialmente , a rede executou alguns serviços de manutenção e limpeza nos museus, somente após o pagamento de uma verba referente a locação da Vila para um comercial de cerveja.

Por se tratar de uma propriedade privada, a Prefeitura Municipal de Santo André sempre teve muitas dificuldades de interagir com a população da Vila . Por esta razão, em janeiro de 2001, instalou a sub-prefeitura de Paranapiacaba. Outra iniciativa foi a instalação do Departamento de Gestão Ambiental,do SEMASA ( Serviço Municipal de Águas e Saneamento de Santo André) que coordena, entre outras atividades, o desenvolvimento do ecoturismo.

Em 1998, houveram momentos de aproximação da Prefeitura com a Rede, como a assinatura de um acordo para a criação de uma entidade jurídica independente, capacitada para gerir a Vila. Mas, estas iniciativas não prosperaram, denotando que os entraves burocráticos e políticos estão numa esfera superior à qualquer outro interesse.

O prazo de liquidação dos bens da rede foi prorrogado de dezembro de 2000 para junho de 2001, desta forma o destino da Vila Inglesa, do seu patrimônio tombado e de seus moradores permanece incerto.